Emily Dickinson
OBRA
 

Nunca me senti em Casa – Cá em baixo –
E nos Aprazíveis Céus
Não me sentirei em Casa – eu sei –
Eu não gosto do Paraíso–

Porque é Domingo – sempre –
E o Recreio – nunca chega –
E o Éden serão solitárias
Claras Tardes de Quarta feira –

Se, ao menos, Deus fizesse visitas –
Ou Sestas –
E deixasse de nos ver – mas dizem
Que Ele – por um Telescópio

Perpétuo nos olha –
Eu própria fugiria
D’Ele – e do Espírito Santo – e de Todos –
Não fosse o “Juízo Final”!

“Esta é a Minha Carta ao Mundo e Outros Poemas”
(tradução de Cecília Rego Pinheiro)

ooooooooooooooooooooooo

Há uma palavra
Que empunha uma espada
Pode trespassar um homem armado
Lança as suas sílabas de farpa
E fica se, calada.
Mas onde tombar
Os salvos dirão
Em dia da nação,
Deixou de respirar
Um irmão, um soldado.

Por onde corra o sol arfante
Ou o dia vagueie
Aí, o seu ataque sossegado
E a sua vitória!
Notai o atirador mais hábil!
O tiro mais certeiro!
O mais sublime alvo do Tempo,
A alma "sem memória"!

oooooooooooooooooooo

É fácil inventar uma Vida –
Deus fá lo – todos os Dias –
A Criação – apenas um Capricho
Da Sua autoridade –

É fácil apagá la –
A zelosa Divindade
Mal nega a Eternidade
Ao que é Espontâneo –

Os que Pereceram murmuram –
Mas o Seu Plano Impassível
Prossegue – colocando aqui – um Sol –
Ali – deixando de fora um Homem –

Como se o Mar apartando se
Mostrasse um outro Mar –
E esse – um outro – e dos Três
Apenas se pudesse suspeitar –

De Sucessões de Mares –
Adversos à Costa –
Eles próprios a Margem de Mares por ser –
A Eternidade – é isso –