Zuleica Lintz
OBRA
 

 

Jamais alguém o amou. Jamais sua alma pura
Despertou vibrações na alma alheia extasiada ...
Parecia que, ao vir ao mundo, alguma fada
Condenara sua alma à perpétua clausura.

Sem palavras de amor, sem risos de ternura
Dia a dia viveu. Sua ingrata jornada
Não teve a suavizá la o encanto da pousada,
Nem tampouco a emoção da imprevista aventura

Foi em vão, sempre em vão, que sua alma de opala
Aos seres ofertou. Nenhum quis aceitá la ...
E, cansado afinal de uma inútil quimera,

Para a morte voltou se em derradeiro instinto;
E a morte acalentou seu coração faminto,
Seu coração que a vida não quisera.