Vera Silva
OBRA


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Amante sensual


Abre a boca
E devora-me a língua
Em gestos soltos e precisos
Como se não te chegasse o tempo
Para me amares com loucura.
Enrosca-te nas minhas coxas
E prova o meu néctar de mulher.
Deixa-me gritar
E leva-me ao céu,
Entra em mim
Profundo,
Em movimentos perfeitos
De amante sensual,
E no fim
Sacia-me a sede
Do teu vigor.


Saberás o que queres?

Não temas amar-me
Nem receies os calafrios que te provoco.
São meros sentimentos
E o egoísmo fica-te mal...
Sou mulher, sou inteira
E amo-te assim,
De uma forma que jamais entenderás.
Não tentes entrar no azul dos meus olhos
Porque te afogarias.
A tua alma já está possuída
Pelo meu coração...
Mesmo que não queiras!
Não me ouças a dormir
Se te sussurro num lamento
Quando estás aqui
E me viras as costas.
Provocas-me e atiças-me,
Afastas-me...
Saberás o que queres?
Eu sei...
Quero-te a ti!
Não sorrias...
Não sejas convencido!
Não fujas,
Escondida ando eu...
Mas apenas de mim.


Sintonia

Caem as letras, uma a uma...
Cai a nossa roupa, espalha-se pelo chão,
Rebolam os versos nos nossos corpos
Em alegre sintonia.
Sinto-te na minha carne, quente...
Entras devagar, dentro de mim
E sacias-me a fome e o querer.

Transpiras-me,
Inspiras-me!

Realizo-te as fantasias mais loucas
Numa entrega indiscreta,
E quente, ardente...
Tomo-te e imaginas-me tua.
Inventamos caminhos indecentes
Para percorrermos juntos
E chegarmos, loucamente, ao fim

Inspiras-me!
Transpiras-me!


Sou tua

O meu corpo
Tem toque de veludo
Na entrega carnal
Dos afectos
E desejos incontidos
Que não escondo
Atrás de máscaras
De menina decente.
Sou mulher,
Inteira, completa,
E quero-te
Ávido de mim,
Sedento dos meus seios
E ansioso
Pelo roçar das minhas coxas
Que se abrem para te receber.
Completa-me e mistura-te
Com os fluidos lascivos
Que se unificam
Em matéria
Que anseio receber
Dentro de mim…

Vem…
Sou tua!


Voluptuosidade

Invades-me a alma
Num beijo molhado
Que me aquece o corpo
E me leva à entrega absoluta.

Já não sei quem sou…

Perco-me nas partículas
Que te cobrem, envolvem,
E abarco-te com volúpia
No íntimo de mim.

Já não sei onde estou…

Em ondas uníssonas e ritmadas,
Entre gritos e gemidos,
Salivamos torrentes de amor
Que se quedam eternas.

Já não sei de mim…

O colapso final surge
Entre ejaculações e contracções
E palavras de amor
No declínio da tensão.

Já não somos dois…



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