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Santiago Aguaded Landero OBRA |
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O PERFUME DE LILITH
A Guadalupe,Teresa e Louise,
triângulo poético impossível.
OUTRAS depois de ti suportaram a amorosa hostilidade do homem. Mas tu escapaste-te antes de se consumarem triângulos impossíveis e agora reinas como Semíramis ou Salomé num mundo sem homens nem filhos. Mas fugir é regressar ao naufrágio eterno. A noite ascende no jardim de Adónis quando vejo a estrela profanada da tua púbis. Respiro o vermelho dos teus seios e “la belle dame sans mercy”, prisioneira de um conveniente pudor, sela os meus lábios num verdadeiro enigma.
(O bosque das certezas ardeu ininterruptamente por sete noites...)
O medo é a minha bússola. Conspiras com a dermoestética para incrustar esquírolas de plástico no meu coração de homem. Primeiro morrem os loucos da ternura; seguem-se-lhes os operários da beleza, e do que foi uma perfeita aliança nada mais resta do que o azougue de um espelho. Rainha das mulheres, filhas de Lilith: que sobra dos dias que fogem? Quando a espada oxida e os inimigos crescem? Eu vi a beleza de uma mulher consumir-se em chamas e nos sulcos do seu rosto nunca germinou a semente da dúvida.
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