Renata Correia Botelho
OBRA


a mesa está posta de ervas
para dois, esperam-nos
melros e canteiros.

no jardim, sabem que fomos
com o musgo, com os grilos,
para o colo da terra,

somos agora parte
da primavera, nunca estivemos

tão chegados ao mundo

tão dentro de casa.

(in Revista de Poesia “Telhados de Vidro” n.º2 – Maio 2004)


em quantas dores se reparte
um corpo, o espaço
húmido de boca a boca,
centro exacto do fim
para onde apontas
a seta

és o teu arqueiro.

(in Revista de Poesia “Telhados de Vidro” n.º2 – Maio 2004)


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