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Raymond Farina OBRA |
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Balançando indeciso
entre fantasmas & imagem
procura-se em palavras
o murmúrio pressentido
o que o sangue sabia
intentava dizer-nos
longínquas pulsações
balbúcios de avós etiopes
ou fonemas de exílio
em desespero de sentido
nos confins de nós mesmos
possíveis hieroglifos
de uma certa fadiga
rangendo em velhos ossos
na idade da descrença
Cartago ainda intacta
quando nada mais chega
mais ninguém
como a ave a chuva antes
& quando partir é sem alhures
II
E agora que fazer
de todos os graffiti
dos adeuses incómodos das coisas
das aves dos acasos
desde hoje proibidos
nesta crueldade de relógio
& à criança só como uma ilha
ao seu terror & à sua sede
que sésamo que schiboleth
que coisa calma & doce
que símbolo benévolo
deixar
se apenas resta a arte
de interrogar o eco
de roubar ao reflexo
o que sabe do perfeito
às casas que voaram
o segredo de habitar
& à nostalgia
a verdade daqui
como um velho céu demente
procurando entre os seus azuis
o que é vivo & vital
perdido na sua confusão de aves
no seu turvo e tempestivo passado
(Tradução de José Augusto Seabra)