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Pedro Lucas OBRA |
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No alpendre, espero por ti.
Os arbustos cresceram. As folhas caíram
O poço secou. As pessoas partiram.
É mais difícil quando vem o frio
A brisa chora nos meus olhos.
E nos meus olhos era onde sonhavas
Teus sonhos dentro de mim.
Envelheci com as árvores.
Com o cair das folhas no Outono.
Agora já não dão frutos.
Oiço apenas o barulho do vento
Que atravessa os ramos,
Que atravessa dentro de mim, vazio.
A noite não acaba. O dia não acaba.
Nada se não silêncio incessante.
Espero por ti, no alpendre.
Sei que não voltas. Mas ainda te quero abraçar
A brisa, chora nos meus olhos.
Porque foi nos meus olhos
Com as tuas mãos pequeninas,
Que aprendeste a sonhar
as cartas
escrevi as cartas.
invisíveis sentidos. fúteis. esquecidos.
não sei se, o bater do silêncio terá fim.
ou porque ainda te escrevo.
doem-me as mãos te tanto te escrever.
e de todos os dias te ver nos meus dias.
escrevi as cartas.
não as recebeste, bem sei.
mas enquanto o bater do silêncio não acabar,
sei apenas que todos os dias te escrevo,
para me doerem as mãos.
porque todos os dias eu sei,
que vou apenas escrevendo,
para ninguém…
E há um beijo frio, que me envolve.
No Mar, uma brisa cresce,
E dentro de mim,
O teu sorriso, desce,
Para eu morrer, lentamente algures no teu rosto.
E depois as palavras que me ensinaste.
São as que só sei escrever,
E que encontram dentro de mim o sonho…”
horas demoradas
procurei nas horas demoradas, o teu canto de corais.
a tua auréola azul, céu que havia no fundo do mar.
procurei nos teus abraços, o abraço mais largo das estrelas
e na noite as ondas que enrolavam nas mãos.
procurei os passos que deixavas por cima das águas,
os sinais que desenhavas no céu com as mãos pequeninas.
procurei o leite da tua pele, que derretia na minha boca,
os sabores dos frutos, os silêncios das chuvas.
procurei o teu nome na areia, escrito com as mãos nuas.
os laços que amarras-te mil planetas no meu colo.
procurei por dentro das marés o sal dos teus beijos,
as viagens que o eco da tua voz levava e trazia no vento.
procurei nos pássaros o teu voo imperial,
as serpentinas de cores que arrastavas no céu pelas manhãs.
procurei nos búzios o som do palpitar do teu peito,
que abria em murmúrios de ternura, os espasmos da terra.
diz-me se te vou encontrar outra vez,
para de novo aprender a voar.
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