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Manuel Jorge Matos OBRA |
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Para a Sara
Hoje: 05.03.15
20,25 horas. Tempo de Lisboa
Pois. Terá sido? Um tempo outro, um tempo neutro?
Um tempo morto? Um tempo?
Terá sido realmente o tempo que morreu?
Ou, antes, nós já mortos antes mesmo de termos nascido
Nestes momentos em que Fukuyama assume que a História
Foi uma ficção histórica.
Daí, por mera “circunstância” a assumpção do seu fim.
Fim?
Não há qualquer fim porque isso representa
O “infinito”
( ou “finito?”)
que em matemática se exprime.*
Não. Não há realmente fim que justifique este meticuloso
Sofrimento que a ausência do fim representa.
Não!... Nós somos, somente, a expressão
Desse sonho de vida, com alguns esparsos vividos
e cuja memória assumimos como sofrida,
que nos deu a “vida”.
Tudo, mas tudo realmente, é prosaica inutilidade
Filosófica que biologicamente se justifica.
* Esta foi sempre a minha dúvida. O poema de Anna Akhmatova responde, melhor do que eu a essa dúvida:
“Naquele tempo só os mortos sorriam
Felizes por poderem repousar.”
Já não me conheço,
e, não me conhecendo, o outro
desconheço.
A memória.
Ah! A memória, a referência...
A minha memória é uma forma
de mentir ocultando-me...
(não sei como acabar)
Este mar escorre
lenta ou rapidamente
(conforme o ponto em que me encontro)
ao correr do universo
infinito e subtil das coisas.
É uma sequência, uma gramática
do Ser.
Há momentos (somente há momentos) em que
tudo aparentemente se recompõe
e noutros em que tudo... Tudo
se desfaz e dispersa.
É imenso e fascinante
o fascínio de cada momento.