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Luís Lourenço OBRA |
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O amor da viagem e o navio
É o amor da viagem e o navio
que se desafiam um ao outro
com igual coragem e sangue frio;
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o mar profundo e a longa travessia
onde navegam arrojados timoneiros
faróis na noite e raios de Sol no dia;
*
o porto de partida e o porto de chegada
onde cada saída é uma nova partida
e cada partida é uma nova chegada;
*
a expectativa e a acção
que no navio são o ar e a respiração
e nos criadores o destino da missão;
*
a ambição e a descoberta
que se jogam belas e seguras
mesmo nos portos da hora incerta;
*
a fruição e as formas belas
que sopram durante o percurso
e se renovam em criações serenas;
*
a felicidade do mar e a presença do navio
que mesmo quando se retiram ausentes
se fazem sentir presentes;
*
É mar e travessia, viagem e navio,
aventura, descoberta e fruição,
tempo, densidade e desafio,
Ar e respiação, devir e invenção;
sopro de toda a criação;
Acção e contemplação,
plantações férteis da filosofia,
e símbolos ardentes da liberdade
no jogo da própria felicidade!...
In Poética do Instante Filosófico