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Jorge Brito OBRA |
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2 - Relógio da vida
O meu relógio da vida
esgueira-se pela porta da vontade sucumbida
sinto o corpo longe e a apodrecer
sinto a minha mente ser sugada e desaparecer
entrei num stress permanente
da minha existência me sinto ausente
acompanho uma alma perdida
enquanto vagueio pelas místicas estrelas
não tenho mais as linhas da minha palma
apenas memórias tristes e eternas mazelas.
É como se estivesse preso no centro da terra
tal como no purgatório com a alma de quem erra
assim me perco na tristeza
afundado na delicadeza
com que o mundo nos ilude, não passa de pura frieza.
Agora deito-me á espera da hora
falta pouco, mas quando é desejada
parece que uma eternidade demora,
desvaneço numa só estirada
perco-me na insanidade emocional
mato-me com uma facada mental,
fui poluído no meu curso do rio
estou só, louco e na minha alma entrego-me ao frio...
1 - A Imperfeição da Perfeição
Em momentos profundos
da frieza do mar oriundos
Entram-me nas veias em poucos segundos
estes dois mundos
Entrelaçados no puro enxofre do sistema
Dão asas a este angélico e demoníaco poema
Sai da alma sem tema
Por causa da perfeita imperfeição,
Sim sou pecador de gema
Senti-a tocar-me com um breve sopro
A imperfeição da perfeição entrou-me no corpo
A avidez das palavras e actos deixaram-me morto
Senti meu corpo ser outro
Foste a perfeição que senti
E a perfeição pela qual me perdi
Nada mais és que escrava de Apolion
Anjo do escuro abismo
Nada mais és que amante de Abadon
Anjo deteriorado pelo seu narcisismo.
Foste a vida, agora és a morte
No meio de um mar
Deixaste-me à minha sorte
Não me sinto fraco nem forte
Sinto-me indiferente
Mas sem sul nem norte
Apenas perdido na frieza do mar
Para a perfeita imperfeição não mais encontrar!