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Joaquim Evónio OBRA |
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1. Extractos de solidão
Uma garrafa, um copo,
meu amigo:
Apenas o tinteiro.
De olhos mudos,
molho a minha pena
(as minhas penas,
tristezas de ocasião)
para poder trocar contigo
fragmentos de solidão!
(Esboços Pessoanos)
NOCTURNO EM SETEMBRO
Hoje a lua nasce muito mais tarde
Nesta tristeza que trago comigo
Rompe farrapos do céu sem estrelas
Prata que não tange os sinos da aldeia
Dormem os poetas da minha rua
E os cães ladram sem saber porquê
Enquanto mais além é o silêncio
Que governa o tempo e o espaço
E eu observador intemporal
Prisioneiro de minhas verdades
Deitei-me logo a adivinhar
Se mais tarde quando o sol nascer
A lua lhe vai dizer em segredo
A solidão que passou esta noite