Inês Lourenço
OBRA



Verbi gratia

Proferimos o amor
com verbos úteis:
fazer – ir – vir – andar –
e mudámos ou outros:
estremecer – imaginar – ferir.

Nenhum Jacob servirá mais por
sete anos. Raquel aprendeu a gerir
rebanhos e o fogo hoje
arde para se ver.

As letras garrafais
dos maços de tabaco, vendem
mais verbos úteis
à espécie: fumar
mata, pode prejudicar o esperma
e a fertilidade.

Será que já ninguém falece?
desce à última
morada ou se extingue?

O último suspiro
Éé o resto da travessa
de um doce caseiro. E o
Criador revela-se, como sempre,
um destinatário incerto
para enviar a alma.

(in Revista de Poesia “Telhados de Vidro” n.º 2 – Maio 2004)


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