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Hideraldo Montenegro OBRA |
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ESPAÇO
Mulher não tem forma
Mulher é prosa
poesia e loja
aliás, mulher tem forma
circular, curva
sem arestas
basta encontrar o centro
a fresta
e penetrar em festa
o útero
que nos espera
O homem não tem forma
O homem tem norma
limite de sua sola
O homem só se forma
quando decola
da mulher que o assola
A mulher não tem forma
A mulher é elástica, mola
flexível, medula, moda
A mulher só tem forma
Na cabeça de quem a adora
Vulcão
Dentro de você
O vulcão explode
E suas lavas lhe dão prazer
Dentro de você
O mundo para se comer
Você sempre de boca aberta
Dentro de você
Quando o vulcão explode
Você ri de prazer
REAL
Ontem pensei em você
e o pensamento fez estragos
não existia o proibido
e me entreguei ao meu próprio afago
Soltei a imaginação
Toquei você como um fato
gozei, senti espasmos.
e da pretensão
liberei meus fardos
Penetrei fundo, procurei o braço
que me recebesse através do tato
e, assim, descobri como me trato
neste sonho que mesmo faço
Beijei, lambi, cheirei, gozei
e não desfaço
o quanto entrei em você
até converter este sonho em fato
Só por esperar um sim
que venha dos seus braços
da flor que também se abre em mim
e que cheiro e me encharco
Diga sim, abra-se para mim
como digo sim para o fim
do gozo que está no ato
ENTREGA
Você ocupou todos os meus espaços
E agora, o que é que faço
Com esta ereção que não desfaço?
Ou desisto
Ou a penetro também por baixo
Beijo sua boca
E por entre suas coxas
Navego como macho
Tomo uma decisão:
Ejaculo fora
Ou divido o meu tesão
Penetrá-la pela alma
Tê-la em minhas mãos
Sem esperar um sim ou um não
Sorvê-la com calma
E beijar-lhes os seios, as nádegas,
Enfim, sugá-la.
Com vinho de adega
Trazê-la para o fato
E livrar-me da quimera
É você ficar na posição de espera
Que transforma o desejo
Em realização
Livrando-me da tensão
Que está na ponta da minha mão
Então, decida:
Viva escondida
Ou diga-me sim ou não
MERGULHO
Toda vez que penetro
também sou penetrado
E, todo raso é fundo
neste teu mundo
em que me vejo afogado