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Daniel Gil OBRA |
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Quando crestando o céu
a noite se espalha,
tudo é substituído...
o sol verde das folhas pela paúra dos troncos,
o barulho das borboletas pelo silêncio dos uivos,
o trabalho pelo sexo,
a sombra pelo vulto,
a dor pelo sono. Cai
a cor do chão, laminada sob a lua.
Mas o mar, não.
Tudo é substituído menos
o mar que morre.
Que deixa o nada desenhado
entre a espuma e a espátula
do horizonte:
o aposento de um filho perdido
é seu lugar vazio deitado na noite...