António Manuel Couto Viana
OBRA


Confissão Pública

Dizem de mim que sou poeta,
Que escrevo versos com pudor,
Sem revelar a voz secreta
Para ninguém a ter de cor.

Que me contento co'a discreta
Fama exigida plo censor
E uso a caneta do esteta
Pra disfarçar o amor e a dor.

Tudo é verdade e é mentira
(A vida é esta condição),
Embora a alma me prefira

Entre o pecado e o perdão,
Pra o singular da minha lira
Do lado oposto ao coração.


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