Tomás António Gonzaga
BIOGRAFIA
 

Tomás António Gonzaga nasceu em 1744 no Porto, no seio de uma família de magistrados e filho de pai brasileiro. Emigrou para o Brasil com o seu pai, aos sete anos de idade, e aí recebeu a sua formação de base num colégio de jesuítas. Mais tarde, ingressou na Universidade de Coimbra, onde em 1768 obteve a licenciatura em Direito. Seguiu a carreira da magistratura, tendo ocupado diversos cargos em Portugal e no Brasil (foi juiz em Beja, ouvidor em Vila Rica, Minas Gerais, e desembargador na Baía). Entretanto, apaixonou se por Maria Joaquina Doroteia de Seixas, aquela que ele cantaria sob o pseudónimo de Marília. Escreveu várias composições amorosas, a que chamou liras, quase todas dedicadas a Marília, que foram publicadas sob o título Marília de Dirceu.
Ambicionando a Relação do Porto, não conseguiu o seu intento e viu gorados os seus planos. Acusado de participar na revolta de Tiradentes (conspiração que ficou conhecida por Inconfidência Mineira), foi preso durante três anos e desterrado para Moçambique, em 1791.
Aí faleceu em 1810, depois de em 1793 se ter casado com Juliana de Sousa Mascarenhas e de ter esquecido, pelo menos aparentemente, a sua musa Marília.
Poeta lírico, Tomás António Gonzaga contribuiu para o enriquecimento de duas literaturas, a portuguesa e a brasileira, com a sua obra prima Marília de Dirceu (1ª parte: 1772; 2ª parte: 1799), onde são visíveis as influências de poetas como Horácio, Anacreonte, Petrarca e Tasso, modelos que Tomás António Gonzaga imitou, como era tradição na época. A sua poesia é suave, descritiva, bucólica, mas também levemente sensual, comprazendo se o autor na descrição de retratos pessoais, o seu e o de Marília, e de cenas domésticas. No entanto, está ainda muito presa aos cânones arcádicos, embora se encontrem já inúmeros elementos pré românticos. Da sua obra consta ainda um poema satírico em decassílabos, as Cartas Chilenas (1786 1787), formado por treze cartas assinadas com o pseudónimo Grítilo e dirigidas ao seu amigo Doroteu (Cláudio Manuel da Costa). Na sua qualidade de jurista escreveu ainda um Tratado de Direito Natural, inédito durante séculos e que só no século XX foi publicado.