Pêro de Andrade Caminha
BIOGRAFIA
 

Pêro de Andrade Caminha nasceu em 1520, no Porto. A sua figura foi durante muito tempo denegrida pelo facto de ter deposto contra Damião de Góis no processo inquisitorial que este sofreu, e por uma alegada inimizade com Camões. Pêro de Andrade Caminha foi camareiro do infante D. Duarte, Duque de Guimarães e neto do rei D. Manuel, tendo servido também os Duques de Bragança, em Vila Viçosa, após a morte daquele. Este facto permitiu lhe integrar se na vida palaciana e dedicar se, por inteiro, à poesia divertimento requintada. Foi ainda fidalgo da casa de D. João III, diplomata, cavaleiro da ordem de Cristo por intervenção de Filipe I de Portugal e provedor da Misericórdia em Vila Viçosa. Terá acompanhado D. Sebastião na expedição a África, a Alcácer Quibir, antes de desempenhar, em 1578, as funções diplomáticas já referidas.
Apesar de comungar com alguns autores seus amigos como Sá de Miranda e António Ferreira o gosto pela estética clássica, Pêro de Andrade Caminha deixou nos inúmeros textos tradicionais, talvez os mais reveladores do seu engenho. Inspirou se em cantares antigos, portugueses e castelhanos, glosando os motes ?Na Fonte está Lianor?, ?Coifa de beirante?, ?Catarina bem promete? e muitos outros, dando assim forma a uma poesia popularizante com vestígios e formas da poesia oral.
A sua vertente clássica, influenciada pelos textos de Dante e de Petrarca, pode ser apreciada nas suas ?Poesias Inéditas? (454 composições), que só foram impressas em 1791 a mando da Academia das Ciências, e na obra com o mesmo título editada em 1898, em Halle, por Priebsch, da qual constam 545 espécies, 452 das quais inéditas. Esta colectânea divide se em duas partes, a primeira dedicada pelo autor a D. Francisca de Aragão, musa dos seus poemas de elogio, queixa e adoração convencionais; a segunda a D. Duarte, mecenas e amigo.
Este autor escreveu elegias, éclogas, sonetos e odes, nos quais lhe faltou vigorosa inspiração. Não pode, no entanto, ser considerado um simples imitador de António Ferreira ou de Camões. Muitos dos seus poemas foram musicados, encontrando se mais de uma centena deles no ?Cancioneiro Musical e Poético da Biblioteca da Pública Hortênsia?. Pêro de Andrade Caminha morreu em 1589.
Obras: “Poesias Inéditas” (1791)