Mihail Eminescu
BIOGRAFIA
 


Mihail Eminescu nasceu em Botosani, no norte da Moldávia, em 1850. Sexto de dez filhos, passou a infância na aldeia de Ipotesti, onde o seu pai era fazendeiro. O pai meteu o num grande colégio, de onde fugiu várias vezes. Publicou as suas primeiras poesias com 16 anos, conquistando logo notoriedade entre os escritores romenos. Depois, foram os anos de vagabundagem pelo país que lhe deram um profundo conhecimento da língua e do espírito popular romeno. Ouviu assim centenas de histórias, lendas e baladas, e tomou nota de tudo, coleccionando com fervor velhos manuscritos, locuções antigas, palavras raras. Viveu sempre modestamente, contentando se com muito pouco, e guardando religiosamente uma caixa de livros, sua única fortuna que nunca abandonou. Frequentou vários cursos nas Universidades de Viena (entre 1869 e 1972) e de Berlim (entre 1872 e 1974), sem o menor empenho em fazer exames ou conseguir diplomas. Mas interessava se por tudo: egiptologia, direito romano, ciências financeiras, anatomia, filologia comparativa, ocultismo... mas a sua paixão seria sempre a filosofia. Em Bucareste, foi de tal maneira admirado por alguns escritores e críticos, que pensaram em oferecer lhe uma cadeira na Universidade, mas Eminescu não se mostrou interessado. Grande perfeccionista, trabalhou os seus poemas durante anos e anos, sempre insatisfeito com a forma. Voltou para a Roménia, trabalhando como bibliotecário, depois inspector do ensino primário e por fim, a troco dum magro salário, aceitou redigir um jornal político de Bucareste, o "Timpul". Mas esgotou se num trabalho devorador, escrevendo sozinho os artigos de fundo, as crónicas e os comentários políticos, traduzindo os telegramas das agências e ainda revendo, pelas noites fora, as provas do jornal inteiro.
Foi célebre, estimado e admirado, teve ilustres protectores, mas a sua timidez e o seu orgulho impediram no de viver uma vida humana. A partir de 1883, de hospital em hospital, com alternativas de lucidez e de desvario, Eminescu deixou que as suas forças o abandonassem e faleceu em 1889, com 39 anos.
O escritor Alexandru Vlahuta descreveu uma visita que lhe fez então numa casa de saúde: "Com uma alegria de criador, tirou da algibeira um bocado de papel amarrotado e pôs se a ler uma longa série de estrofes duma sonoridade e dum efeito rítmico maravilhosos. Mas no bocado de papel só havia três palavras. Eminescu improvisara!..."
Durante a sua doença, os amigos mandaram imprimir lhe o primeiro (e último) volume de "Poesias". O êxito foi enorme. Eminescu tornara se o poeta nacional da Roménia...