José de Matos-Cruz


IMAGINÁRiO311

· 16 FEV 2011 · Edição Kafre · imaginario@imaginarios.org
· Ano VIII · Semanal · Fundado em 2004


PRONTUÁRiO

TESTEMUNHOS



Obra notável, deslumbrante, alicerçada pelo imaginário da história, desenvolvida entre a ilustração e os quadradinhos, Portugal - sob chancela das Edições Asa - expande as Viagens de Loïs, concebidas por Jacques Martin (1921-2010) a partir de 2003, sobre os reinados de Luís XIII e Luís XIV em França. Um desafio monumental, minucioso, assumido com engenho e talento por Luís Diferr - também autor dos textos, revistos por Anne Deckers, transfigurando as aventuras de Loïs Lorcey, um jovem pintor que chega a Portugal por finais do Século XVII, inícios do Século XVIII. Arquitecto de formação, professor do ensino básico e secundário, criador de banda desenhada, cujas virtualidades exploram a realidade e o fantástico, com um peculiar aliciante gráfico e virtual, Diferr concilia uma ampla dimensão, cultural e pedagógica, lúdica e memorial, referenciando tempos e lugares, paisagens e pessoas, a vivência e o esplendor dos testemunhos humanos e edificados. Em destaque e em detalhe: Portugal e Lisboa; O Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém; Os Templários e a Ordem de Cristo; A Arquitectura Monumental No Reinado de D. João V; Palácios e Solares; Porto: o Vinho, Nasoni e os Ingleses; Mobiliário e Coches; Personagens e Trajes.
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CALENDÁRiO

03MAI-26SET2010 - Em Lisboa, no âmbito das Comemorações Nacionais do Centenário da República,  Galeria de Exposições dos Paços do Concelho apresenta O Jogo da Política Moderna! - incluindo Desenho Humorístico e Caricatura Na I República (1910-1926) e Os Humoristas de Lisboa Na I República - Roteiro Patrimonial.
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25JUL1930-16JUN2010 - Maureen Forrester: Meio-soprano e contralto canadense - «Interpretar uma bela melodia é uma coisa, mas entoar um texto de modo a que as pessoas o entendam, logo numa língua estrangeira, exige muito e árduo trabalho».

1922-18JUN2010: - José Saramago: «Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma maneira bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratularmo-nos ou para pedir perdão, aliás, há quem diga que é isto a imortalidade de que tanto se fala».
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22JUN2010 - Em Lisboa, são entregues os prémios da 7ª edição do Prémio Stuart de Desenho de Imprensa - El Corte Inglés / Casa da Imprensa 2010: Grande Prémio - A Literatura Portuguesa É Má Na Cama? de Nuno Saraiva (Ípsilon/Público); Tira Cómica - Sismo Sentido Em Arraiolos de José Bandeira (Diário de Notícias); Cartoon/Caricatura - O Último a Sair de Cristina Sampaio (Expresso).

24JUN-23SET2010 - Todas as quintas-feiras, Museu de Évora apresenta Noites de Verão, com uma conferência ou uma visita guiada no âmbito da sua colecção.

¯26JUN2010 - Em Comemorações dos 70 Anos Sobre o Nascimento do Maestro Jorge Peixinho (1940-1995), Câmara Municipal de Montijo expõe Jorge Peixinho - Vida e Obra, no Museu Municipal; e In Memoriam em pintura de São Nunes, no Cinema-Teatro Joaquim de Almeida. IMAG.36-40-67-155-175-182-198-259-279

02JUL-10OUT2010 - No Porto, Museu de Serralves expõe Contra o Muro de Marlene Dumas.

MEMÓRiA

1869-19FEV1951 - André Gide: «Na vida, nada se resolve, tudo continua. Permanecemos na incerteza; e chegaremos ao fim sem sabermos com o que podemos contar».
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1795-23FEV1821 - John Keats: «Here lies one whose name was writ in water - Aqui descansa um homem cujo nome está escrito sobre a água» (inscrição pessoal para o túmulo em Roma).

BREVIÁRiO

Caminho edita Correspondência - José Rodrigues Miguéis [1901-1980] / José Saramago [1922-2010] - 1959-1971; organização de José Albano Pereira.

OBSERVATÓRiO

www.robertdoisneau.com - Robert Doisneau - Site dedicado a Robert Doisneau (1912-1994), um dos mais populares e prolíficos fotógrafos de reportagem franceses, autor de O Beijo No Hotel de Ville (revista Life, 1950) - Inclui Vida & Obra, Impressões & Livros e Galeria 1942-48, 1949-52 e 1953-66 - «As maravilhas da vida quotidiana são excitantes, nenhum realizador de cinema poderia reconstituir o inesperado com que nos deparamos nas ruas».

VISTORIA

Tu não me dominarás, tristeza! Ouço um canto suave através das lamentações, dos soluços. Um canto cujas palavras invento a meu talante. Um canto que me fortalece o coração quando o sinto prestes a ceder. Um canto que encho com teu nome, Camarada, e com um apelo aos que com ânimo responderão:
Erguei-vos frontes inclinadas! Olhares voltados para os túmulos, erguei-vos. Não para o céu vazio, mas para o horizonte da terra. Para onde te conduzirão os teus passos, Camarada, regenerado, valente, disposto a sair desses lugares empestados pelos mortos; deixa a tua Esperança transportar-te para a frente. Não permitas que nenhum amor ao passado te retenha... Lança-te para o Futuro! A poesia, cessa de transferi-la para o sonho; que saibas vê-la na realidade. E, se não estiver nela ainda, coloca-a lá!
As sedes não estancadas, os apetites insatisfeitos, os frémitos, as esperas vãs, as fadigas, as insónias... que tudo te seja poupado, ah, como o desejaria, Camarada! Inclinar para as tuas mãos, para os teus lábios, os galhos de todas as árvores frutíferas. Fazer ruírem os muros, abaterem-se diante de ti as barreiras sobre as quais o açambarcamento ciumento acaba de escrever: «Entrada proibida. Propriedade Privada». Lograr enfim que te caiba a recompensa integral do teu trabalho. Erguer a tua fronte e permitir enfim que o teu coração se encha não mais de ódio e inveja, mas sim de Amor! Sim, permitir enfim que todas as carícias do ar, os raios do Sol e todos os convites à felicidade te atinjam.
Ó tu, para quem escrevo - a quem chamava outrora por um nome que hoje se me afigura demasiado dorido, a quem eu agora chamo Camarada - não admitas mais nada de dorido no teu coração.
Que saibas obter de ti o que torne a queixa inútil. Não implores mais de outrem o que podes obter.
André Gide - Les Nourritures Terrestres (1935, excerto)


Ode Sobre Uma Urna Grega

I
Inviolada noiva de quietude e paz,
Filha do tempo lento e da muda harmonia,
Silvestre historiadora que em silêncio dás
Uma lição floral mais doce que a poesia:
Que lenda flor-franjada envolve tua imagem
De homens ou divindades, para sempre errantes.
Na Arcádia a percorrer o vale extenso e ermo?
Que deuses ou mortais? Que virgens vacilantes?
Que louca fuga? Que perseguição sem termo?
Que flautas ou tambores? Que êxtase selvagem?
II
A música seduz. Mas ainda é mais cara
Se não se ouve. Dai-nos, flautas, vosso tom;
Não para o ouvido. Dai-nos a canção mais rara,
O supremo saber da música sem som:
Jovem cantor, não há como parar a dança,
A flor não murcha, a árvore não se desnuda;
Amante afoito, se o teu beijo não alcança
A amada meta, não sou eu quem te lamente:
Se não chegas ao fim, ela também não muda,
É sempre jovem e a amarás eternamente.
III
Ah! folhagem feliz que nunca perde a cor
Das folhas e não teme a fuga da estação;
Ah! feliz melodista, pródigo cantor
Capaz de renovar para sempre a canção;
Ah! amor feliz! Mais que feliz! Feliz amante!
Para sempre a querer fruir, em pleno hausto,
Para sempre a estuar de vida palpitante,
Acima da paixão humana e sua lida
Que deixa o coração desconsolado e exausto,
A fronte incendiada e língua ressequida.
IV
Quem são esses chegando para o sacrifício?
Para que verde altar o sacerdote impele
A rês a caminhar para o solene ofício,
De grinalda vestida a cetinosa pele?
Que aldeia à beira-mar ou junto da nascente
Ou no alto da colina foi despovoar
Nesta manhã de sol a piedosa gente?
Ah, pobre aldeia, só silêncio agora existe
Em tuas ruas, e ninguém virá contar
Por que razão estás abandonada e triste.
V
Ática forma! Altivo porte! em tua trama
Homens de mármore e mulheres emolduras
Como galhos de floresta e palmilhada grama:
Tu, forma silenciosa, a mente nos torturas
Tal como a eternidade: Fria Pastoral!
Quando a idade apagar toda a atual grandeza,
Tu ficarás, em meio às dores dos demais,
Amiga, a redizer o dístico imortal:
«A beleza é a verdade, a verdade a beleza»
- É tudo o que há para saber, e nada mais.

John Keats
(Tradução de Augusto de Campos)


Na Ilha Por Vezes Habitada

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.
José Saramago


 

IMAGINÁRiO310

· 08 FEV 2011 · Edição Kafre · imaginario@imaginarios.org
· Ano VIII · Semanal · Fundado em 2004


PRONTUÁRiO

FASCINAÇÃO



Berlim, 1931. Enquanto a asa negra do nazismo começa a esvoaçar, funestamente, uma bizarra fauna - de aventureiros, escroques, turistas, milionários, homossexuais - acorre todas as noites ao Kit-Kat Club, onde actua Sally Bowles, exuberante e talentosa cantora americana… Eis Cabaret, Adeus Berlim (1971), o mais popular filme do director / coreógrafo Bob Fosse, inspirado no musical de Joe Masterof, a partir da peça de John Van Drutten e do romance de Christopher Isherwood. Uma atmosfera sórdida mas fascinadora, em paralelo a uma ameaça subtil, avassalante, são admiravelmente traçadas, destacando-se o desempenho de Joel Grey como mestre de cerimónias do Cabaret - afinal, fulcro precário, volúvel, duma sociedade exposta ao espectáculo entredevorador dos seus crepusculares reflexos, vícios e anacronismos. A composição de Liza Minelli valeu-lhe um dos oito Oscars atribuídos a uma obra-prima referencial enquanto género dramático ou testemunho histórico.

CALENDÁRiO

21MAR1931-12JUN2010 - Al Williamson: Ilustrador norte americano, um dos maiores artistas de banda desenhada, na herança de Alex Raymond, assinou Flash Gordon, Jungle Jim/Jim das Selvas, Secret Agent X-9/O Agente Secreto X-9, Blade Runner  ou Star Wars. IMAG.67-70-71-86

1915-13JUN2010 - Hua Junwu: Caricaturista chinês de inspiração humana, social e política, ligado ao Partido Comunista e Mão Tsé Tung, director da secção de arte e cultura do Diário do Povo (1949).

16-19JUN2010 - Em Lisboa, Castelo de S. Jorge celebra Histórias do Castelo - Séculos de História Em 100 Anos de Monumento Nacional; uma viagem visual, musical e literária, com a colaboração de António Jorge Gonçalves, Bernardo Sassetti e Nuno Júdice.

17-29JUN2010 - Teatro Nacional de São Carlos apresenta Eugene Onegin de Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893), com Laryssa Savechenko e Natalija Kovalova; encenação de Peter Konwitschny, direcção musical de Michail Jurowski e Johannes Stert.
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18JUN-19SET2010 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta A Nossa Cármen - A Maior Luso-Brasileira de Sempre; sobre Cármen Miranda (1909-1955). IMAG.45-141-232

20-27JUN2010 - Na Associação Casulo, em Guimarães, decorre a Exposição de Bd/Ilustração Feminina; inclui concertos, performance e workshops; organização de Fiadeira, com a participação de Ana Biscaia, Caroline Sury, Claire Lenkova, Dame Darcy, Isabel Carvalho, Ivo Gonçalves, Joana Figueiredo, Patrícia Guerra, Pedro Moura, Sílvia Rodrigues e Ulli Lust. http://fiadeira-caldeiroa.blogspot.com/

MEMÓRiA

08FEV1851-1904 - Kate Chopin: «O toque do mar é sensual, envolvendo o corpo no seu abraço suave e estreito… Virou o rosto para o mar aberto, para obter uma impressão de espaço e solidão, que a vasta extensão de água, encontrando-se com o céu enluarado, transmitia à sua excitada fantasia. Ao nadar, parecia querer alcançar o infinito em que se perderia» (O Despertar). IMAG.266

1842-08FEV1921 - Piotr Kropotkine: «As letras e a ciência só tomarão o seu verdadeiro lugar na obra do desenvolvimento humano no dia em que, livres de toda a servidão mercenária, forem exclusivamente cultivadas pelos que as amam e para os que as amam» (A Conquista do Pão).

08FEV1931-1955 - James Dean: «Viver o mais intensamente, arriscar sempre... Se tivesse cem anos para viver, eu ainda não teria tempo para tudo o que pretendo fazer».
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11NOV1821-09FEV1881 - Fiodor Dostoievski: «O homem adora fazer a contabilidade dos seus problemas, mas não considera as suas alegrias. Se contasse estas, veria nelas a felicidade suficiente». IMAG.220-281-297

ANUÁRiO

1541-1614 - Doménikos Theotokópoulos, aliás El Greco: «Um grande talento para a pintura» (Giulio Clovio) - «Acredito que a reprodução da cor é a maior dificuldade da arte». IMAG.81-196

1871 - Este ano, nas costas do continente de Portugal e das ilhas dos Açores, ocorrem 20 naufrágios, sendo 13 em distritos marítimos no departamento do Norte, 4 no do Centro e 3 no do Sul. Destes, 9 eram portugueses, franceses 2, ingleses 4, 1 prussiano, 1 sueco, 1 russo, 1 austríaco e 1 espanhol. Nestes naufrágios houve 17 vítimas.

VISTORiA

O sofrimento evidencia, sempre, uma consciência ampla e um coração nobre. Em minha opinião, os homens verdadeiramente grandes devem sentir-se muito desolados na Terra -  concluiu com súbita melancolia, que contrastava com o tom em que a conversa decorrera até ali.
Feodor Dostoievski - Crime e Castigo
(excerto - Raskolnikov)

ANTIQÁRiO

15FEV1931 - Órgão oficial do Partido Comunista Português/PCP, o jornal Avante! inicia publicação clandestina. Lema: «Proletários de todos os Países: Uni-vos!».

COROLÁRiO

Ao Proletariado de Portugal

Camaradas:

A persistente repressão que vimos sofrendo por parte do governo, apoiado em forças mercenárias, que têm como único objectivo, a satisfação da sua vaidade, o brilho dos seus galões, sem a menor consciência pela dor e pela miséria que o povo sofre, levou o PCP a desenvolver uma maior acção revolucionária, dispondo-o a lutar, sem desânimo, pelos sagrados direitos do proletariado português.
15FEV1931 - Avante! (excerto)

PARLATÓRiO

A Nação não está preparada, nem pela opinião nem pela instrução, para tamanha largueza de liberdade.

Joaquim Pereira Annes de Carvalho, Deputado por Tomar no Parlamento, em prol da Comissão de Censura - 13FEV1821


Les Demoiselles d’Avignon

Em absoluto, apenas a execução conta. Sob este ponto de vista, pode dizer-se que o cubismo tem origem espanhola e que eu inventei o cubismo. É necessário procurar a inspiração espanhola em Cézanne. Os elementos, por si só, parecem reclamar a influência de El Greco neles. Mas a sua estrutura é cubista.
Pablo Picasso

Quando um actor interpreta uma cena exactamente da forma como o realizador pretende, isso não é representar. É seguir instruções. Qualquer pessoa com as qualificações físicas exigidas pode satisfazer esses objectivos… Sem espaço, um actor é apenas um robô insignificante, com um peito repleto de botões, para o controlarem.
James Dean

BREVIÁRiO

Al Williamson

Algo que torna a arte de Al Williamson única e especial, que nos leva a regressar à sua obra, é o facto de que, mais do que qualquer outro criador de quadradinhos, ele superou as vias tradicionais da ilustração, sob o signo da aventura. Embora Al incorporasse a ilustração tradicional, tal como fez Alex Raymond, que o inspirou, ele era um grande apreciador de cinema, especialmente os velhos serials dos anos ’40. Via esses filmes incessantemente, a coreografia das suas cenas de luta, e tinha o génio de extrair tal coreografia e interpretá-la no papel. Criava a ilusão de movimento numa simples página, e não conheço outro que lograsse tamanha elegância e movimento. Características que fazem dele o melhor, e tornam única a sua obra. Além da noção de movimento e acção, há um sentido de elegância no seu labor, nas suas figuras e composições. Embora ele privilegiasse a fantasia e a ficção científica, paira, em tudo o que ele criou, uma extraordinária sensibilidade estética, de mistério e integridade, que o torna excepcional.
Mark Schultz (JUN2009)
www.newsarama.com/comics

BREVIÁRiO

Cine Digital edita em DVD, Cabaret, Adeus Berlim (1971) de Bob Fosse (1927-1987); com Liza Minelli e Michael York.

Universal edita em CD, sob chancela Decca, Franz Peter Schubert [1797-1828] - Die Schöne Müllerin pelo tenor Jonas Kaufmann, com o pianista Helmut Deutsch.
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Gailivro edita As Aventuras de Zé Leitão e Maria Cavalinho 5 - Os Artistas da Almofadinha Verde com argumento e ilustração de Pedro Leitão.

Dargil edita em CD, sob chancela ECM, Othmar Schoeck [1886-1957]: Notturno pelo Rosamunde Quartett, com o barítono Christian Gerhaher.

¨Dom Quixote edita O Outono Em Pequim de Boris Vian (1920-1959); tradução de Luísa Neto Jorge. IMAG.231-286-289

EXTRAORDINÁRiO

OS ALTERNATIVOS
Folhetim Aperiódico

NARIZ RACHADO AO PÉ DA TESTA,
PATA QUEIMADA NO FLANCO - 4

  O pior era o Inverno, mafarrico.

Tinham de garantir cóio certo, coberto, e andar à pedincha numa azáfama de porta em porta, que só os fazia perder tempo.

Mucusse metia medo com um gabão em fiapos, e já se contentavam com pão e umas cebolas. A pinga resolvia o resto, aquecendo-se uns aos outros - mais a corja vadia, todos engrolados nalguma pensão de piso térreo.

Até que veio a reviravolta, quando Mucusse e Mataka ficaram ambos pelo beicinho, banzados com os cheiros e as curvas da Cambiambia, uma mestiça lambuzona que se lhes pôs à frente, junto à Travessa da Portuguesa. Atreveram-se os dois. Com um lânguido riso, a mocetona deixou-se lambiscar na macieza de Mataka, até ser engolida, ávida, por Mucusse num transe alarve.

– Continua  



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